Inspiração

O melhor que existe em nós

Há um ditado popular que diz: “O que arde cura e o que aperta segura“. Talvez este ditado tenha surgido numa época em que era preciso que cada um à sua medida, resistisse aos ardores e apertos da vida.

Mas, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”!

O melhor que existe em nós

No tempo em que vivemos, há um cansaço geral a precisar urgentemente de reciclagem e inovação. A inovação deve estar presente na vida tanto como nas empresas e organizações,  pois estas, sendo constituídas por pessoas, empreendem e inovam através das pessoas que as constituem.

O discurso do empreendedorismo e inovação grita por novos modelos e paradigmas, apela à criatividade e à excelência, ou seja, apela ao melhor que há em cada pessoa e em cada empresa.

A singularidade é um conceito de diferenciação, e no entanto cada vez mais precisamos dos talentos uns dos outros para chegarmos mais longe. Mesmo num futuro incerto, não há dúvida de que não queremos este presente e buscamos soluções mais satisfatórias.

O melhor que existe em nós

Nos últimos anos, têm vindo a surgir inúmeras propostas e abordagens para novas soluções, que também resultam deste paradigma criativo, transversal  a toda a sociedade humana.

O coaching é um sistema de desenvolvimento humano centrado na excelência criativa de cada ser humano.

Contendo uma ética e uma ecologia fortemente sustentada nas diferentes dimensões sistémicas da vida e das empresas, promove nos seus clientes o enraizamento de um conceito de sustentação e firmeza nos seus recursos descobertos, através de sessões de coaching, conduzidas por um coach experimentado e também ele criativo, ético e ecológico.

Na minha perspectiva, o que diferencia o resultado tangível do coaching é a consciência de que capacidades e recursos identificados pelo coachee (o cliente) se tornarão consistentes e concretos de modo transversal à sua ecologia (o seu ambiente pessoal, familiar, social, profissional).

Todos sonhamos com o que temos de melhor e desejamos alcançar, e nem sempre confiamos o suficiente no nosso verdadeiro Eu, para nos sentirmos livres no caminho das nossas escolhas.

A capacidade de sonhar é um combustível que estimula a avançar, mas a realização do sonho está dependente da confiança na acção de conduzir o sonho à sua concretização. Ao transferir o sonho para uma meta a atingir, é possível começar a mobilizar habilidades e recursos com vista à sua concretização.

Ao longo de mais de 10 anos tenho verificado que a falta de confiança está ligada com o medo de não ser capaz, e este medo está muito dependente do medo do julgamento social e da comparação com os outros.

A tendência a querer corresponder a algo ou a alguém é extremamente limitadora da descoberta dos potenciais e habilidades pessoais numa ótica da sua concretização.

Num estudo que realizei em 2011 sobre “Valores associados com Felicidade”, 1233 portugueses responderam.

No quadro Satisfação com a Vida, foi colocada a questão: “Considere o contributo que têm na sua vida as diferentes áreas referidas abaixo, e por favor, indique o grau de importância  de cada uma delas na sua vida: Família, Saúde, Trabalho, Amigos, Rendimento, Lazer, Religião,  Espiritualidade, Educação” (escala – Nada importante, Pouco Importante, Importante, Muito Importante).

Na escala “Muito importante”, obtiveram-se os seguintes resultados: Saúde (98,2%), Família (98%), Amigos (97%), Educação (96%), Trabalho (94%), Rendimento (93,6%), Espiritualidade (70%), Religião (34,5%).

Este resultado mostra a importância dos valores relacionais na vida dos portugueses, os aspectos subjectivos da natureza lusitana, e talvez uma das razões da importância que geralmente se dá à opinião dos outros.  Quando exagerada, essa importância é um bloqueio que impede de ver possibilidades pessoais e potenciais de realização. Eis um exemplo disso:

“Lúcia sente-se perdida no seu universo pessoal e social. Tem uma licenciatura em Comunicação Empresarial, mas não sabe o que fazer com ela e não tem emprego nem interesses: deambula pelos seus dias, lamentando-se e queixando-se.

Apercebe-se de que não se sente realizada, e pensa no mundo ao seu redor como um ambiente hostil que não a respeita nem reconhece.

Afirma sentir-se incapaz de tomar uma direcção, de estabelecer objectivos ou até de se achar capaz de algum dia ser reconhecida pelos outros.

Apesar de não ter ocupação, tem dificuldade em dormir, em descansar, a sua mente hiperactiva gira constantemente entre pensamentos de incapacidade, zanga e conflito, e acredita que ninguém gosta dela e que só a criticam e acham incapaz. Aos 32 anos está perdida e sem rumo. Sabe que possui qualidades especificas, uma sensibilidade tão subtil que se apercebe quando os outros não são verdadeiros, mas questiona-se se alguma vez estas qualidades lhe serão úteis.

Este é todo um quadro negativo, escuro, denso, sem vislumbre de oportunidades.

É preciso que Lúcia saia disto para se ver a si própria. Até agora, tem-se visto pelos olhos dos outros e avalia-se por aquilo que pensa que os outros julgam dela.

Lúcia sente e pensa que esta é a sua única realidade, limitada e inibidora, que o seu ambiente familiar e social são hostis e que o mundo nunca a aceitará. É o seu jogo mental, fechado em si mesmo, rígido e cristalizado nas experiências que teve até agora e na maneira como interpretou essas experiências.

É muito importante que ela descubra que outras possibilidades também existem para lá do que actualmente pensa e do boicote que faz a si mesma, sem se aperceber.

Na sessão de coaching, através de várias perguntas orientadas para a auto-descoberta, Lúcia vai descobrindo com prontidão e facilidade quais os seus sonhos, o que gostaria de alcançar, que actividade profissional lhe daria satisfação, que recursos precisa desenvolver em si para atingir essas metas.

Os seus olhos vão brilhando e o seu corpo muda de posição à medida que vai dando respostas a si mesma, que vai entrelaçando perspectivas e construindo possibilidades. O seu jogo mental abriu-se, como uma flor que desabrocha, e a sua linguagem corporal expandiu-se tornando-se flexível, coerente e lúcida.

Lúcia  elaborou e escreveu um plano geral, centrado em dois eixos: O QUE EU QUERO e o que PRECISO DESENVOLVER EM MIM PARA ATINGIR O QUE QUERO. Foi alterando, adaptando, modificando através da sua própria reflexão. A dada altura, eu era observadora maravilhada de como é possível transformar um eu fechado e auto-limitado num Eu expansivo e criativo.

A criatividade e visão interna de Lúcia começaram a libertar-se e uma clareza iluminada começou a surgir. Durante esse processo Lúcia nunca se referiu a outras pessoas, em especial àqueles que, segundo ela, a afectavam, a impediam de ser ela mesma e a rejeitavam; os outros já não faziam parte do seu novo Eu, ninguém a impedia de se descobrir a si mesma, ela tinha aberto a janela da sua consciência interior e estava pronta a redescobrir-se através das suas verdadeiras qualidades.

Tudo isto aconteceu numa única sessão. Lúcia levou tarefas específicas para pôr em prática, até à próxima sessão. Comprometeu-se totalmente consigo mesma, agora que se descobriu como pessoa capaz de planear a concretização dos seus sonhos. Não houve dor ou sofrimento. Em vez disso, um estado de paz e de harmonia tomou conta desta jovem mulher, e um mundo novo de possibilidades invadiu-a: sentiu-se feliz como nunca antes; sentiu-se livre e abriu-se à Vida.”

Cada pessoa é um complexo sistema de redes de informação e comunicação. Quando as redes de informação estão viciadas ou contaminadas por medos, inseguranças, pessimismo, julgamentos ou vitimização,  a comunicação interior e exterior está deteriorada e confusa.

O coaching, na sua maravilhosa energia de aceitação e entrega, é como um óleo lubrificador das redes de informação, um ignidor de comunicação positiva e construtiva: onde havia limitações descobrem-se possibilidades e potenciais; onde havia desânimo surge otimismo e vontade; aos impedimentos sobrepõe-se a confiança na acção. Promove-se a auto-descoberta dos dons maravilhosos que cada ser humano contém.